domingo, 25 de julho de 2010

PALEODIÁRIO nº 2, São Paulo, 25 de julho de 2010

Amanhã será o grande dia. Em pensar que há exatamente uma semana eu estava vindo de Mogi para São Paulo achando que seria mais uma semana normal no LaPAS, lavando umas amostras... Nem imaginava que seria uma correria atrás de documentos, passagens, hostels e muito menos que estaria no Rio de Janeiro na semana seguinte! Em um primeiro momento, meus pais adoraram. Até eu falar que, primeiro, os gastos seriam por nossa conta e segundo, eu viajaria somente com garotos... Mas tudo bem, acabei convencendo-os da grande oportunidade e de como era muito mais seguro andar com dois meninos em uma cidade como o Rio do que viajar para lá apenas em companhia feminina... Ok, não foi suficiente, tive que falar também que como eles já tinham deixado anteriormente não dava mais para cancelar. Apesar de aparentar tanta determinação e autoconfiança nas tentativas de convencer meus pais e o Felipe a me deixar passar uma semana no CENPES, confesso que estou com certo medo de fazer ou falar besteira, quebrar alguma coisa, não representar bem o LaPAS... sem contar o medo dos perigos da cidade em si. Contudo, acredito que essa viagem não foi por sorte, e sim, "Boa Sorte". Citando Trías e Rovira “para alcançar a Boa Sorte é preciso confiança”; não posso me abater com essas preocupações, tenho que pelo menos tentar. Assim, lá vamos nós para o Rio! -- Ana Elisa, Aluna IC - LaPAS

sexta-feira, 23 de julho de 2010

PALEODIÁRIO nº 1, São Paulo, 23 de julho de 2010

Neste exato momento acabei de comprar, pela internet, as nossas passagens (minha, da Ana e do meu “querido” amigo Hector, mais conhecido como Xile) para o Rio de Janeiro. Nosso ônibus parte a 00h15min de segunda-feira (26/07) com previsão de chegada para as 06:20. Como estamos em 3, alguém vai ficar sozinho em uma poltrona do ônibus, só espero não ficar do lado do Xile, hehe. CENPES ai vamos nós!!!!!! -- Guilherme "Chapolin" Schultz, Aluno IC - LaPAS

terça-feira, 23 de março de 2010

Trabalho de Graduação - Lucas M. Bariani


VARIAÇÕES DA SEDIMENTAÇÃO AO LONGO DOS ÚLTIMOS 15.000 ANOS EM UM TESTEMUNHO DA BACIA DE SANTOS

Bariani, L. M., Toledo, F.A.L.

Marine sediments from Santos Basin continental slope have been investigated by grain size, X-ray fluorescence and carbonate content from one piston core. The core KF-02 (25o 50’15,25’’ S; 45o 15’ 53,72’’ W; 827 mbsl) is 489 cm long and ~15 kyrs old. The core was sampled every 4 cm, totalizing 111 samples. Chronological control is based on 9 AMS radiocarbon dates. Comparison among the sedimentological record with previous micropaleontological and geochemical records from this core was realized. From grain size analyses we observed that clay percentage showed relatively low concentrations in the lower core section and higher values toward the core top. The X-ray fluorescence showed that the Fe/Ca, Ti/Ca and Mg/Ca element ratios were very similar among themselves, but we do not observed a significant correlation with the other proxies studied. The same occurred with the grain size analyses. The oscillations of carbonate content are coherent with bulk sample oxygen isotopes from the lower core section until ~3 kyrs BP and both can be correlated with water temperature variations (higher carbonate contend and higher oxygen isotopes related with warmer water temperatures). From this age toward the core top these proxies showed opposite behavior: lower carbonate content and higher oxygen isotopes, suggesting that others factors should be acting to explain the observed signal in the marine sediments.





terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Resumo do trabalho apresentado no SICIO

IMPORTÂNCIA DA PREPARAÇÃO DE AMOSTRAS DE SEDIMENTO EM ESTUDOS PALEOCEANOGRÁFICOS

Lamente, L.; Nishizaki, C.; Pais, F.S.; Schultz, G.G.; Silva, M.B.; Toledo, F.A.L.; Costa, K.B.

1. Objetivo

A adequada preparação de amostras de sedimentos de testemunho para estudos paleoceanográficos é extremamente importante para qualidade dos dados gerados e na obtenção de corretas interpretações.

O procedimento descrito a seguir permite a aplicação de diversas técnicas que utilizam espécies de microfósseis tais como foraminíferos e nanofósseis calcários.

2. Materiais e Métodos

As amostras úmidas coletadas em testemunhos e armazenadas em sacos plásticos são inicialmente pesadas em balança analítica. Após secagem em estufa a 60°C, a amostra é novamente pesada. Esta é lavada em peneira de malha 63µm separando a fração grossa, maior que 63µm, da fração fina, menor que 63µm. A seguir efetua-se nova secagem de ambas as frações em estufa, mantendo a mesma temperatura da primeira. A fração fina é utilizada para análise de nanofósseis calcários. A próxima etapa consiste em peneirar a seco a fração grossa em malha de 150µm. A parte retida é utilizada para análise de foraminíferos. Para se obter entre 300 e 600 foraminíferos, faz-se o quarteamento, isto é, divide-se a amostra em várias partes iguais. Os foraminíferos são analisados através de lupa binocular. Para o estudo dos nanofósseis calcários, são preparadas lâminas em chapa aquecida a 60°C com tempo de decantação e pipetagem pré-estabelecidos, seguidas de análise em microscópio com luz polarizada.

3. Resultados

Dentre as possíveis aplicações em estudos paleoceanográficos, a partir das amostras tratadas pelo método descrito anteriormente, estão: determinação da razão isotópica de carbono e oxigênio em testas de foraminíferos; teor de carbonato; composição e abundância da assembléia de foraminíferos; estimativas de paleotemperaturas, estimativa da paleoprodutividade; bioestratigrafia; cronoestratigrafia; estudo da variação do nível do mar através da razão entre foraminíferos planctônicos e bentônicos, entre outras.

4. Conclusão

Em virtude das diversas aplicações das amostras provenientes deste tratamento em estudos paleoceanográficos, é notável a importância dos cuidados em cada etapa do método, desde a separação dos sedimentos preservando as testas de foraminíferos e nanofósseis até cuidados com contaminação, garantindo assim a confiabilidade dos dados interpretados.

5. Referências

COSTA, K. B. 2000. Variações paleoceanográficas na porção oeste do Atlântico Sul entre o Último Máximo Glacial e o Holoceno: isótopos estáveis do oxigênio e carbono e a razão Cd/Ca em foraminíferos bentônicos. Tese de Doutorado. Instituto de Geociências, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 250p.

CAMILLO, E. 2007. Foraminíferos planctônicos em resposta às mudanças oceanográficas no Atlântico Tropical oeste durante os últimos 30.000 anos. Dissertação, Instituto Oceanográfico, Universidade de São Paulo, 181p.

QUADROS, J. P. 2007. Nanofósseis calcários da Margem Continental nordeste do Brasil: uma contribuição à paleoceanografia do Atlântico Sul nos últimos 25.000 anos. Dissertação, Instituto Oceanográfico, Universidade de São Paulo, 188p.

TOLEDO, F. A. de L. 2000. Variações Paleoceanográficas nos últimos 30.000 anos no oeste do Atlântico Sul: Isótopos de Oxigênio, Assembléia de Foraminíferos Planctônicos e Nanofósseis Calcários. Tese de Doutorado. Instituto de Geociências, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 245p.





terça-feira, 27 de outubro de 2009

Menção Honrosa

Conforme divulgado na Assembléia do XXI Congresso Brasileiro de Paleontologia, ficou decidido que os melhores trabalhos apresentados por alunos, tanto da graduação quanto da pós-graduação, receberiam uma menção honrosa, como uma forma de estímulo acadêmico.
Nós do LaPAS gostaríamos de aproveitar este espaço para parabenizar a aluna de mestrado Ana Cláudia Aoki Santarosa, membro de nossa equipe, que foi uma das contempladas na categoria "Painel".
O comunicado pode ser lido na íntegra em http://www.sbpbrasil.org/portal/imagens/XXICBP.pdf.




quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Estudos de foraminíferos planctônicos e análise isotópica em um testemunho da Bacia de Santos

Fabiane Sayuri Iwai, Felipe A. L. Toledo & Karen Badaraco Costa - Livro de Resumos do XXI Congresso de Paleontologia

Os foraminíferos planctônicos têm grande aplicação na reconstituição climática, já que são organismos abundantes e de ampla distribuição espacial e temporal. Eles são organismos que possuem alta sensibilidade às mudanças ambientais. As oscilações climáticas ocorridas no passado podem, então, ser identificadas no registro fóssil através destes organismos. Existe um crescente interesse sobre a reconstituição paleoceanográfica do Atlântico Sul devido ao seu papel na circulação termohalina global. O presente estudo foi realizado em sedimentos obtidos através de um testemunho (KF-H) na Bacia de Santos. A coleta do testemunho foi realizada sob as coordenadas 24º31‟48”S; 42º32‟24”W a uma profundidade de 1.695 metros de lâmina d‟água. O testemunho recuperou 4,13 metros de sedimentos, os quais foram amostrados a cada 10cm, totalizando 40 amostras. Através de análises faunal e isotópicas de carbono e oxigênio em foraminíferos planctônicos foram realizadas inferências sobre as variações climáticas nos últimos 30.000 anos. A análise faunal do testemunho foi baseada nas espécies de foraminíferos planctônicos Globorotalia menardii, Globigerinoides ruber, Globigerina bulloides, Globorotalia truncatulinoides, Neogloboquadrina dutertrei e Globorotalia inflata. As análises isotópicas de carbono e oxigênio foram efetuadas nas testas de G. ruber (white). O intervalo recuperado pelo testemunho KF-H compreende o Holoceno e parte do último período glacial, sendo possível observar a presença do Último Máximo Glacial (UMG). A partir da bioestratigrafia, baseada na espécie G. menardii, foi possível identificar o limite entre o Pleistoceno e o Holoceno. A espécie G. ruber foi o organismo predominante, sendo a sua ocorrência inversa à da espécie G. bulloides. A curva da freqüência da espécie G. menardii é a que apresenta mudança de comportamento mais marcado em resposta às variabilidades climáticas, sendo o limite Pleistoceno/Holoceno identificado pela ausência/presença desta espécie. Apesar de não apresentar uma resposta tão clara quanto a G. menardii, a espécie G. inflata apresenta um claro limite entre os dois períodos. A espécie N. dutertrei não apresenta uma resposta clara às variações climáticas, porém a sua curva apresenta a mesma tendência da G. inflata de redução em direção ao Holoceno. A razão entre indivíduos dextrais e levógiros da espécie G. truncatulinoides também se mostrou um bom marcador de limite entre períodos frios e quentes. As variações de temperatura encontradas a partir das análises faunísticas apresentam boa correlação à curva isotópica de oxigênio. As espécies N. dutertrei, G. truncatulinoides, G. ruber e G. bulloides apresentaram forte correlação à curva isotópica de carbono e, portanto, à disponibilidade de nutrientes. A variação destas espécies e o comportamento da curva isotópica de carbono indicam um incremento na produtividade do Oceano Atlântico Sul na transição entre o Pleistoceno e o Holoceno. Através da análise faunal de foraminíferos planctônicos é possível identificar as mudanças climáticas ocorridas ao longo do tempo, e nota-se que as principais variações ocorreram no limite Pleistoceno/Holoceno. Os resultados desse estudo podem contribuir para a compreensão do papel do Oceano Atlântico Sul na circulação global.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Trabalhos do XXI Congresso de Paleontologia - Belém

Estimativas de produtividade ao longo dos últimos 15 mil anos na porção Oeste do Atlântico Sul a partir do estudo quantitativo de nanofósseis calcários

Heliane Bevervanso Ferrarese & Felipe A. L. Toledo - Livro de Resumos do XXI Congresso de Paleontologia

Os nanofósseis calcários compõem o grupo mais abundante de fósseis calcários do planeta, sendo os cocolitoforídeos os maiores produtores de carbonatos pelágicos. Visto que a produtividade biológica marinha é um mecanismo de extrema importância no processo de transferência de CO

2 atmosférico para os oceanos, as pesquisas por métodos de análises quantitativas de paleoprodutividade tornam-se expressivamente relevantes para estudos paleoceanográficos. Apesar de sua importância, os estudos neste campo ainda são escassos para a porção oeste do oceano Atlântico Sul e os estudos baseados em nanofósseis calcários em sedimentos em latitudes médias do Atlântico Sul têm se concentrado principalmente no setor leste. Beaufort ajustou uma equação para o cálculo da produtividade primária superficial, em gC m-2ano-1, para águas do oceano Índico, a partir de dados quantitativos da espécie de cocolitoforídeo Florisphaera profunda. Essa equação foi posteriormente testada por outros autores para o oceano Atlântico equatorial, os quais obtiveram boas correlações com a produtividade local. Com o intuito de testar a equação para o Atlântico subtropical, os resultados obtidos neste estudo foram comparados com os resultados quantitativos de espécies indicadoras de produtividade superficial. O objetivo principal deste trabalho foi estimar a paleoprodutividade primária ao longo do testemunho para Atlântico sul, a partir do estudo quantitativo de nanofósseis calcários e, secundariamente, testar a equação de paleoprodutividade, comparando os resultados obtidos à variação das abundâncias absolutas e relativas de nanofósseis calcários, ao índice de nutrientes, e aos dados de isótopos estáveis de carbono. O testemunho de 488 cm, com idade estimada em 15.000 anos foi coletado a 827 m de profundidade na Bacia de Santos. As análises micropaleontológicas foram realizadas a cada 8 cm, totalizando 56 amostras. As abundâncias absolutas, em número de nanolitos por grama de sedimento, foram obtidas a partir da utilização da técnica da decantação aleatória e, o índice de nutrientes, a partir da relação entre espécies de alta e de baixa fertilidade. A produtividade primária calculada variou entre 138 e 252 gC m-2ano-1

. Os resultados de abundância absoluta total apontaram para uma redução da produtividade primária superficial do início do Holoceno para o presente, acompanhando a tendência da curva de paleoprodutividade. A espécie Gephyrocapsa sp. destacou-se ao longo do testemunho, apresentando boas correlações com esta variação de produtividade das águas superficiais e com o Índice de nutrientes.

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